TRANSTORNO ALIMENTAR E OBJETIFICAÇÃO FEMININA: UM RESULTADO DAS RELAÇÕES DE PODER?

Palavras-chave: Transtorno alimentar. Objetificação feminina. Relações de poder. Patriarcado. Gestalt-terapia.

Resumo

A objetificação do corpo feminino é um conceito que tem ganhado cada vez mais visibilidade nas discussões sobre o machismo, sendo um conceito que se refere à banalização da imagem das mulheres, de maneira que a aparência é colocada em evidência em detrimento de todos os atributos que as definem enquanto seres humanos, levando à imposição de padrões sobre como devem aparentar e agir. Este estudo aborda diferentes concepções a respeito do corpo feminino e da subjetividade das mulheres sob a ótica do patriarcado, buscando discutir sobre as relações entre a cultura patriarcal,os papéis de gênero e o sistema  de dominação, para compreender os termos pelos quais   atravessam a saúde mental e corporal das mulheres. Dessa forma, este estudo procurou identificar e caracterizar a objetificação feminina por meio da literatura feminista e investigar os efeitos da objetificação sobre a autopercepção corporal de mulheres que desenvolveram transtornos alimentares, trazendo luz sobre a contribuição da Gestalt-terapia no processo de emancipação feminino. Considerando que muitas mulheres não se veem bonitas, cumpre destacar a contribuição do estudo para a Psicologia no que diz respeito à possibilidade de esta ciência proporcionar às mulheres a percepção de novas formas de existir, libertando-as do sofrimento psíquico que as relações de poder e de domínio podem causar. Vale destacar a importância de os demais profissionais, não somente das áreas da saúde, estarem atentos aos perigos da imposição dos padrões de beleza, a fim de contribuírem para intervenções saudáveis e positivas junto às mulheres.

Biografia do Autor

Juliana Andreza Soares dos Santos, Universidade Católica de Brasília, UCB, DF, Brasil.

Graduação em andamento em Psicologia. Universidade Católica de Brasília, UCB/DF, Brasil. Orcid: http://orcid.org/0000-0002-8401-0550

Vanessa Lima Rodrigues da Trindade, Universidade Católica de Brasília, UCB, DF, Brasil.

Graduação em andamento em Psicologia. Universidade Católica de Brasília, UCB/DF, Brasil. Orcid: http://orcid.org/0000-0002-8334-871X

Ondina Pena Pereira, Universidade Católica de Brasília, UCB, DF, Brasil.

Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (1984), mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1991), doutorado em Antropologia pela Universidade de Brasília (1997) e pos-doutorado em Psicologia Social na Université du Québec à Montreal. É professora adjunta da Universidade Católica de Brasília. Pesquisa a área de saúde e sua relação com as ciências humanas e a filosofia; a psicanálise e suas relações com a sociedade; epistemologias em psicologia; a psicologia e a interculturalidade; teorias de gênero e feminismo; imagens técnicas e teoria do simulacro; clínica política.

Luciana da Silva Santos, Universidade Católica de Brasília, UCB, DF, Brasil.

Docente do Curso de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB). Doutora (2014) e Mestre (2008) pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica e Cultura da Universidade de Brasília. É graduada em Licenciatura Plena (2003) e Formação em Psicologia (2004) pela Universidade Federal da Paraíba. É coordenadora da pesquisa "Violência(s) contra as mulheres donas-de-casa: Ausência de direitos e impactos na saúde mental - VISMM, financiada pela Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP-DF). Psicoterapeuta fenomenológica-existencial, formadora de psicoterapeutas e supervisora com enfoque em teorias humanistas e saúde mental. Orcid: http://orcid.org/0000-0002-2280-3483

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Publicado
2020-08-20
Como Citar
Santos, J. A. S. dos, Trindade, V. L. R. da, Pereira, O. P., & Santos, L. da S. (2020). TRANSTORNO ALIMENTAR E OBJETIFICAÇÃO FEMININA: UM RESULTADO DAS RELAÇÕES DE PODER?. Revista JRG De Estudos Acadêmicos , 3(7), 123-142. https://doi.org/10.5281/zenodo.3992831