As faces da intolerância às religiões de matriz africana
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v8i18.1952Palavras-chave:
Religião, Perseguição, Grupo com Ancestrais do Continente AfricanoResumo
A intolerância religiosa aos adeptos do candomblé é produto das ramificações do racismo, que fora estruturado ao longo dos anos, no Brasil, desde a chegada dos colonizadores. Nesse contexto as religiões de matriz africana tiveram a desconstrução, em que agregaram a demonização nos ritos e costumes culturais dos africanos aqui escravizados. Tais ritos e rituais foram por quatro séculos criminalizados e somente a partir do século XXI foi dado direito à fala jurídica e política. Este estudo objetivou discutir as várias faces da intolerância às religiões de matriz africana, em específico ao candomblé, por meio de pesquisa a reportagens jornalísticas em jornais e revistas de grande circulação, em blogs, sites de emissoras e redes sociais como YouTube, Facebook, Instagram, relacionadas à intolerância religiosa. Foram analisadas quarenta matérias selecionadas. A discussão evidenciou casos de intolerância religiosa, que na maioria, houve denúncia em delegacias e apoio de entidades do movimento preto, mas também foi percebido a falta de um posicionamento mais enérgico da justiça e dos órgãos governamentais, para que as leis fossem cumpridas. Conclui-se que é necessário que haja a educação para a diversidade com vistas a minimizar os casos de intolerância e violência, mas também políticas governamentais.
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