Mudanças climáticas e Segurança Alimentar no Semiárido brasileiro: evidências e desafios para a resiliência nutricional
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3039Palavras-chave:
Mudanças climáticas, Segurança alimentar e nutricional, Semiárido brasileiro, Vulnerabilidade socioambiental, ResiliênciaResumo
As mudanças climáticas representam um desafio crescente para a garantia da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), especialmente em regiões marcadas por vulnerabilidades socioambientais, como o Semiárido brasileiro. Este estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, como a variabilidade climática tem influenciado a SAN nesse território. A revisão seguiu as etapas metodológicas propostas por Whittemore e Knafl, com questão norteadora estruturada pela estratégia PICo. As buscas foram realizadas nas bases BVS, SciELO, PubMed e Google Acadêmico, abrangendo publicações dos últimos dez anos. O processo de seleção foi conduzido conforme as recomendações do PRISMA 2020, resultando na inclusão de 13 estudos. A análise evidenciou que a variabilidade climática afeta as quatro dimensões da SAN. A disponibilidade de alimentos é comprometida pela redução da produtividade agrícola e pela menor oferta de alimentos. O acesso torna-se mais restrito diante da perda de renda das famílias, do aumento dos preços e das fragilidades na gestão dos recursos hídricos. A utilização é impactada pela diminuição da diversidade alimentar e pela piora da qualidade da água, enquanto a estabilidade é ameaçada pela recorrência de secas, pela descontinuidade de políticas públicas e pelos processos migratórios que fragilizam os meios de vida locais. Predominaram estudos qualitativos, classificados majoritariamente como nível 3.c segundo o Joanna Briggs Institute, indicando necessidade de delineamentos mais robustos. Os resultados indicam que as mudanças climáticas intensificam vulnerabilidades socioambientais preexistentes no Semiárido, exigindo estratégias integradas de adaptação, fortalecimento da agricultura familiar, políticas de proteção social contínuas e ampliação de pesquisas aplicadas que articulem clima, produção e nutrição, a fim de subsidiar ações voltadas à promoção da resiliência e à garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada.
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