Descontinuidade governamental e gestão pública no Tocantins: impactos institucionais, administrativos e econômicos da instabilidade política estadual
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3158Palavras-chave:
Gestão pública, Instabilidade política, Continuidade administrativa, Governança pública, Administração Pública, TocantinsResumo
O presente artigo analisa os impactos da instabilidade político-institucional recorrente no Estado do Tocantins sobre a gestão pública estadual, com ênfase na descontinuidade administrativa, na fragilização do planejamento governamental e nos reflexos institucionais, jurídicos e econômicos decorrentes das sucessivas rupturas no comando do Poder Executivo. Parte-se da compreensão de que a alternância democrática de governos, embora legítima no regime republicano, assume contornos problemáticos quando marcada por afastamentos, cassações, judicialização recorrente e reconfigurações extraordinárias de liderança, capazes de comprometer a previsibilidade administrativa e a continuidade das políticas públicas. O estudo tem por objetivo analisar, sob perspectiva teórico-jurídica e institucional, de que modo esse cenário afeta a eficiência da gestão pública, a segurança institucional e a realização do interesse público. Metodologicamente, adota-se abordagem qualitativa, de caráter exploratório e analítico, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica e análise documental, com base em doutrina jurídico-administrativa, literatura especializada em gestão pública e governança, documentos normativos, decisões judiciais e registros públicos. Os resultados indicam que a recorrência de rupturas governamentais no Tocantins compromete a coerência administrativa, dificulta a consolidação de políticas públicas, tensiona princípios constitucionais da Administração Pública e enfraquece a confiança institucional necessária ao adequado funcionamento do Estado. Conclui-se que a estabilidade institucional constitui condição relevante para a preservação da governança pública, da continuidade administrativa e da capacidade estatal em contextos subnacionais marcados por elevada sensibilidade política.
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