A Mente Externalizada: Impactos do Cognitive Offloading na Autonomia Psíquica e na Aprendizagem
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3214Palavras-chave:
Cognitive Offloading, Autonomia Psíquica, Aprendizagem, Paulo Freire, PsicopedagogiaResumo
Este artigo analisa os impactos do fenômeno do cognitive offloading na autonomia psíquica e nos processos de aprendizagem contemporâneos. O estudo parte do paradoxo entre a ampliação do acesso à informação e a redução do engajamento cognitivo profundo. Por meio de uma pesquisa qualitativa de natureza exploratório-bibliográfica, dialoga-se com autores fundamentais como Nicholas Carr (2011), que problematiza a fragmentação da atenção, e Sparrow et al. (2011), ao descreverem o "Efeito Google" na memória transativa. Sob a ótica do desenvolvimento, utilizam-se as bases de Vygotsky (1991), Piaget (1975) para diferenciar a mediação tecnológica da substituição cognitiva. A análise incorpora ainda a perspectiva clínica de Donald Winnicott (1975) sobre o "espaço potencial" e a pedagogia da autonomia de Paulo Freire (1996), relacionando a instantaneidade digital ao enfraquecimento da autoria do pensamento. Os resultados indicam que a externalização excessiva da cognição pode fragilizar a autonomia do sujeito. Conclui-se que o desafio psicopedagógico reside em promover o fortalecimento das funções mentais estruturantes em harmonia com as ferramentas digitais.
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