Abordagem farmacológica de delirium em pacientes críticos idosos: uma revisão integrativa
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v8i18.1944Palavras-chave:
Delirium, Idoso, Unidades de Terapia Intensiva, Tratamento farmacológicoResumo
O ambiente das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) é marcado pela presença de pacientes críticos, sendo aproximadamente 60% deles idosos. Nesse contexto, o delirium emerge como uma complicação frequente e de grande relevância clínica, pois está associado ao aumento da morbidade e mortalidade. Caracteriza-se por uma alteração aguda em vários aspectos cognitivos e comportamentais, podendo ser hiperativo, hipoativo ou misto. As estratégias para o manejo do delirium incluem abordagem não farmacológica, que exige a colaboração entre a equipe multiprofissional, a família e o paciente e, frequentemente, intervenções farmacológicas, consideradas complexas. Este trabalho visa identificar as principais opções medicamentosas utilizadas atualmente para manejo do delirium em idosos internados em UTI. Foi realizada uma revisão integrativa com busca por estudos publicados de 2019 a 2023 nas bases de dados MEDLINE, SciELO e BVS, nos idiomas inglês, português e espanhol com os termos delirium, idoso, UTI e tratamento farmacológico. Foram excluídos os estudos com indisponibilidade de acesso ao texto completo e que incluíram participantes com idade inferior a 60 anos. Foram selecionados 10 estudos relevantes para o tema em questão. O manejo do delirium em idosos internados em UTI frequentemente envolve o uso de antipsicóticos, como haloperidol, quetiapina, olanzapina e lurasidona, outros medicamentos, como dexmedetomidina, ácido valproico, melatonina, e ainda, um conjunto de medidas que incluiu a redução do uso de anticolinérgicos e benzodiazepínicos. Não há resultados estatisticamente significativos que comprovem o benefício da maioria desses medicamentos em idosos, com exceção da dexmedetomidina, que mostrou redução da incidência de delirium e tempo de internação em UTI, apesar de aumentar o risco de bradicardia. Medidas complementares, como reduzir o uso de medicamentos que precipitam o quadro de delirium e a conciliação precoce de medicamentos neuropsiquiátricos, parecem ser promissoras. Há necessidade de novos estudos para confirmar a segurança e eficácia dessas opções terapêuticas.
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