Lugar de fala, ouvintismo estrutural e a política dos corpos surdos: responsabilidades éticas do ouvinte na produção social da diferença
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v8i19.2825Palavras-chave:
Ouvintismo estrutural, Lugar de fala, Política dos corpos surdos, Epistemologias surdas, Responsabilidade ética do ouvinte.Resumo
Este artigo analisa criticamente o conceito de lugar de fala a partir das contribuições de Djamila Ribeiro e o articula ao debate sobre o ouvintismo estrutural (Almeida, 2025), discutindo a responsabilidade ética do ouvinte na educação de surdos. Partindo de uma abordagem metodológica situada, fundamentada na Análise do Discurso crítica, na Filosofia da Diferença e em perspectivas decoloniais, o estudo problematiza como determinadas posições sociais — especialmente a posição ouvinte — ocupam historicamente o centro do discurso educativo e produzem formas de silenciamento e normalização da diferença surda. Argumenta-se que o lugar de fala não opera como barreira discursiva, mas como dispositivo analítico para tornar visíveis as relações de poder que autorizam uns a falar e restringem a voz de outros. Assim como homens devem posicionar-se contra o machismo e pessoas brancas contra o racismo, defende-se que ouvintes têm responsabilidade ativa na crítica ao ouvintismo e na defesa de práticas bilíngues e decoloniais na educação de surdos. O artigo conclui que a participação crítica do ouvinte não substitui a centralidade da experiência surda, mas é condição necessária para desmontar estruturas historicamente construídas que produzem desigualdade linguística, epistêmica e pedagógica.
Downloads
Referências
ALMEIDA, Wolney Gomes. Ouvintismo estrutural: língua de sinais, corpos surdos e resistências. São Carlos: Pedro & João, 2025.
BAYNTON, Douglas. Forbidden Signs: American Culture and the Campaign Against Sign Language. Chicago: University of Chicago Press, 1996.
BAUMAN, H-Dirksen L. Open Your Eyes: Deaf Studies Talking. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2008.
BAUMAN, H-Dirksen L.; MURRAY, Joseph J. Deaf Gain: Raising the Stakes for Human Diversity. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2014.
BELL, Alexander Graham. On the Formation of a Deaf Variety of the Human Race. Washington: National Academy of Sciences, 1884.
BERSCIA, Ana Regina de Oliveira. Surdez, deficiência e cultura: perspectivas críticas. São Paulo: Cortez, 2019.
BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS. A crítica da razão indolente. São Paulo: Cortez, 2010.
BRAIDOTTI, Rosi. The Posthuman. Cambridge: Polity Press, 2013.
BUTLER, Judith. Bodies That Matter: On the Discursive Limits of Sex. New York: Routledge, 1993.
CANGUILHEM, Georges. O normal e o patológico. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2002.
DAVIS, Lennard J. Enforcing Normalcy: Disability, Deafness, and the Body. London: Verso, 1995.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Rio de Janeiro: Editora 34, 1995.
FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.
FOUCAULT, Michel. A vontade de saber. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Petrópolis: Vozes, 1987.
HARAWAY, Donna. Manifesto Ciborgue e outros ensaios. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.
LADD, Paddy. Understanding Deaf Culture: In Search of Deafhood. Clevedon: Multilingual Matters, 2003.
LANE, Harlan. The Mask of Benevolence: Disabling the Deaf Community. New York: Alfred A. Knopf, 1992.
LANE, Harlan. A journey into the deaf-world. San Diego: DawnSign Press, 1996.
MITCHELL, David T.; SNYDER, Sharon L. Narrative Prosthesis: Disability and the Dependencies of Discourse. Ann Arbor: University of Michigan Press, 2001.
MBEMBE, Achille. Necropolítica. São Paulo: n-1 edições, 2018.
PADDEN, Carol; HUMPHRIES, Tom. Deaf in America: Voices from a Culture. Cambridge: Harvard University Press, 1988.
PERLIN, Gládis. Identidades surdas. Porto Alegre: Mediação, 2010.
QUADROS, Ronice Müller de; KARNOPP, Lodenir Becker. Língua de sinais brasileira: estudos linguísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder e classificação social. São Paulo: UFMG, 2005.
RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala? Belo Horizonte: Letramento, 2017.
SKLIAR, Carlos. A surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre: Mediação, 1998.
SNYDER, Sharon L.; MITCHELL, David T.; DAVIS, Lennard J. The Biopolitics of Disability. Ann Arbor: University of Michigan Press, 2014.
WYNTER, Sylvia. Unsettling the Coloniality of Being. CR: The New Centennial Review, v. 3, n. 3, 2003.
YOUNG, Alys; TEMPLE, Bogusia. Approaches to Social Research: The Case of Deaf Studies. New York: Oxford University Press, 2014.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
ARK
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.





































