Tendências temporais do feminicídio no Maranhão e desigualdades regionais no Brasil: estudo ecológico de 2021 a 2024
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3234Palavras-chave:
Feminicídio, Violência de Gênero, Estudos Ecológicos, Desigualdades em Saúde, MaranhãoResumo
Objetivo: Analisar as tendências temporais das taxas de feminicídio no estado do Maranhão em comparação às médias nacional e regional, identificando desigualdades intra e interestaduais no período de 2021 a 2024. Métodos: Estudo ecológico de séries temporais, baseado em dados secundários do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Foram calculadas taxas anuais de feminicídio por 100 mil mulheres para Brasil, regiões e unidades federativas, com análise de variação percentual e posicionamento relativo do Maranhão no cenário nacional. Resultados: O Maranhão apresentou taxas consistentemente superiores à média nacional em todo o período analisado: 1,63 (2021), 2,05 (2022), 1,41 (2023) e 1,92 (2024) por 100 mil mulheres, contra médias nacionais de 1,21, 1,40, 1,33 e 1,42 respectivamente. Observou-se padrão oscilatório, com pico em 2022 (variação de +25,8% em relação a 2021) e nova elevação em 2024 (+36,2% em relação a 2023). O estado figurou entre as cinco maiores taxas do país em 2024, compondo cluster de vulnerabilidade com Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí e Roraima. Conclusões: A persistência de taxas elevadas de feminicídio no Maranhão, associada a oscilações temporais sugestivas de respostas a intervenções pontuais, indica fragilidade estrutural das políticas de prevenção. Os resultados reforçam a necessidade de fortalecimento da vigilância epidemiológica, implementação de políticas intersetoriais contínuas e abordagem diferenciada para territórios de maior vulnerabilidade.
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