Entre o Inconsciente e o Protocolo: um estudo de caso dos desafios da prática psicanalítica em um serviço escola de Psicologia
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v8i19.2407Palavras-chave:
Psicanálise, Serviço-escola, Formação do psicólogo, Ética do inconsciente, Estágio ProfissionalResumo
Este estudo analisa os desafios da prática psicanalítica em um serviço-escola de psicologia, focando nas tensões entre a ética do inconsciente e os protocolos institucionais. O objetivo é relatar as experiências de discentes durante o estágio profissional, confrontados com as exigências de um modelo cientificista. A metodologia consiste em um estudo de caso qualitativo, baseado na observação direta e nos diários dos pesquisadores ao longo de três semestres. Os resultados evidenciam conflitos centrais, como a obrigatoriedade de redigir sínteses detalhadas dos atendimentos, que se opõe à recomendação freudiana da "atenção flutuante", e a imposição de um tempo de sessão fixo de 50 minutos, que contrasta com o "tempo lógico" do inconsciente proposto por Lacan. Aponta-se também a dificuldade no manejo transferencial com a coordenação da clínica, que por vezes interferia na condução dos casos. Conclui-se que, embora a graduação em psicologia forme psicólogos e não psicanalistas, o estágio, ao operar a partir do tripé de análise pessoal, supervisão e estudo teórico, funciona como um dispositivo de introdução à formação analítica, subvertendo a lógica institucional para transmitir a ética da psicanálise. A presença da psicanálise nesses espaços é defendida como uma continuação do desejo de Freud de oferecer uma clínica pública e acessível.
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Referências
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