Barreiras à mobilização precoce em unidades de terapia intensiva adulto: uma análise da percepção multiprofissional
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.3010Palabras clave:
mobilização precoce, unidade de terapia intensiva, serviço hospitalar de fisioterapia, atenção integral à saúde, equipe de assistência multidisciplinarResumen
Introdução: Apesar dos avanços tecnológicos na terapia intensiva, o imobilismo ainda é frequente nas unidades de terapia intensiva (UTIs), impactando negativamente a recuperação funcional dos pacientes críticos. A mobilização precoce (MP) é reconhecida como estratégia segura e eficaz; entretanto, sua implementação permanece limitada por múltiplas barreiras no contexto assistencial. Objetivo: Analisar a percepção da equipe multiprofissional sobre as barreiras que dificultam a implementação da mobilização precoce em UTIs adulto. Métodos: Estudo transversal, descritivo e quantitativo, realizado com profissionais de UTIs adulto de um hospital público em Teresina–PI. Foram incluídos profissionais de nível médio, técnico e superior. Utilizou-se questionário online estruturado em três domínios: dados sociodemográficos, conhecimento sobre a MP e identificação de barreiras. A consistência interna do instrumento foi avaliada pelo Alfa de Cronbach (α). A análise estatística foi realizada no SPSS, utilizando testes não paramétricos, com nível de significância de p<0,05. Resultados: O instrumento apresentou excelente consistência interna (α=0,93). A amostra foi composta por 125 profissionais, que reconheceram a MP como segura, benéfica e eficaz. Contudo, 85% dos participantes relataram barreiras à sua implementação. Destacaram-se limitações estruturais, como escassez de equipamentos e subdimensionamento da equipe; barreiras processuais, como falhas de comunicação e ausência de triagem diária; barreiras clínicas, especialmente sedação e instabilidade hemodinâmica; e barreiras culturais, incluindo falta de incentivo, apoio institucional e conflitos interprofissionais, com associações significativas entre categorias profissionais. Conclusão: Apesar do elevado conhecimento e reconhecimento dos benefícios da MP, sua implementação permanece limitada devido a presença de barreiras multifatoriais de natureza estrutural, processual, clínica e cultural.
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