A Retórica Capitalista da Revolução Verde (RV): entre a Fome Persistente e a Dependência de Agroquímicos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.55892/jrg.v5i11.2398

Palavras-chave:

Agricultura, Indústria química, Agronegócio, Discurso, Fome no mundo

Resumo

A agricultura surgiu na história humana como uma estratégia para solucionar a dificuldade na aquisição de alimentos. Desde então, suas tecnologias têm se desenvolvido, mas, a partir da Revolução Verde (RV), na década de 1950, houve uma intensificação no uso de maquinários e agrotóxicos sob o argumento de garantir a segurança alimentar e erradicar a fome. Contudo, esse processo fortaleceu sobretudo as indústrias agroquímicas e impulsionou o agronegócio, resultando em contaminação de solos, mananciais hídricos e lavouras, além de ampliar o desmatamento e a expansão da agricultura em larga escala. Este artigo, com base em análise bibliográfica, busca discutir os impactos da Revolução Verde, estabelecendo um paralelo entre o agronegócio e a realidade da erradicação da fome. Conclui-se que a RV não representou apenas um avanço científico, mas principalmente uma política de transformação da agricultura global, marcada por uma contradição central: ao mesmo tempo em que aumentou a produção de alimentos, intensificou a poluição ambiental e não eliminou a fome. Evidencia-se, assim, que o foco da RV esteve mais ligado ao crescimento econômico do que à justiça social, uma vez que a fome se relaciona mais diretamente às políticas de distribuição, acesso e equidade do que à tecnologia.

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Biografia do Autor

Damásio Torres de Araújo, Universidade do Estado da Bahia, BA, Brasil

Mestrando do Programa em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental (PPGEcoH) pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

Marta Maria Oliveira de Santana, Universidade do Estado da Bahia, BA, Brasil

Doutora em Ciência Animal nos Trópicos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Docente da Licenciatura e do Bacharelado em Biologia e da Pós-Graduação em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental (PPGEcoH) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

Joyce Avelino Carneiro Santana, Universidade do Estado da Bahia, BA, Brasil

Doutora em Arqueologia pela Universidade Federal da Bahia (UFS) e Pesquisadora Colaboradora do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia (LAP) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

Cristiana de Cerqueira Silva Santana, Universidade do Estado da Bahia, BA, Brasil

Doutora em Geologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Docente da Licenciatura e do Bacharelado em Biologia e da Pós-Graduação em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental (PPGEcoH) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

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Publicado

2022-12-21

Como Citar

ARAÚJO, D. T. de; SANTANA, M. M. O. de; SANTANA, J. A. C.; SANTANA, C. de C. S. A Retórica Capitalista da Revolução Verde (RV): entre a Fome Persistente e a Dependência de Agroquímicos. Revista JRG de Estudos Acadêmicos , Brasil, São Paulo, v. 5, n. 11, p. 633–643, 2022. DOI: 10.55892/jrg.v5i11.2398. Disponível em: https://revistajrg.com/index.php/jrg/article/view/2398. Acesso em: 29 ago. 2025.

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