A Retórica Capitalista da Revolução Verde (RV): entre a Fome Persistente e a Dependência de Agroquímicos
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v5i11.2398Palavras-chave:
Agricultura, Indústria química, Agronegócio, Discurso, Fome no mundoResumo
A agricultura surgiu na história humana como uma estratégia para solucionar a dificuldade na aquisição de alimentos. Desde então, suas tecnologias têm se desenvolvido, mas, a partir da Revolução Verde (RV), na década de 1950, houve uma intensificação no uso de maquinários e agrotóxicos sob o argumento de garantir a segurança alimentar e erradicar a fome. Contudo, esse processo fortaleceu sobretudo as indústrias agroquímicas e impulsionou o agronegócio, resultando em contaminação de solos, mananciais hídricos e lavouras, além de ampliar o desmatamento e a expansão da agricultura em larga escala. Este artigo, com base em análise bibliográfica, busca discutir os impactos da Revolução Verde, estabelecendo um paralelo entre o agronegócio e a realidade da erradicação da fome. Conclui-se que a RV não representou apenas um avanço científico, mas principalmente uma política de transformação da agricultura global, marcada por uma contradição central: ao mesmo tempo em que aumentou a produção de alimentos, intensificou a poluição ambiental e não eliminou a fome. Evidencia-se, assim, que o foco da RV esteve mais ligado ao crescimento econômico do que à justiça social, uma vez que a fome se relaciona mais diretamente às políticas de distribuição, acesso e equidade do que à tecnologia.
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