Lipomatose epidural espinhal associada ao HIV e terapia antirretroviral: relato de caso de resolução conservadora com otimização da TARV
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.2849Palavras-chave:
Lipomatose, HIV, TARVResumo
A lipomatose epidural espinhal (LEE) é uma condição rara caracterizada pelo acúmulo excessivo de tecido adiposo no espaço extradural, que pode comprimir as estruturas neurais e causar déficits neurológicos. Embora classicamente associada ao uso de corticosteroides e obesidade, a LEE tem sido observada em pacientes com Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), particularmente em relação à terapia com antirretrovirais de alta eficácia (HAART) e à lipodistrofia associada. Este relato de caso descreve um paciente masculino de 38 anos, HIV positivo, com a terapia antirretroviral (TARV) interrompida por 6 anos, que desenvolveu paraparesia progressiva, hipoestesia e perda de controle esfincteriano. A ressonância magnética da coluna torácica revelou lipomatose epidural posterior com estenose do canal medular. Após o reinício da TARV, o paciente demonstrou melhora significativa dos déficits neurológicos, com recuperação da força motora e controle esfincteriano, correlacionada à otimização dos parâmetros virológicos e imunológicos (carga viral e CD4). Este caso destaca a importância de considerar a LEE no diagnóstico diferencial de mielopatia em pacientes com HIV em uso de TARV e sugere que a otimização da TARV pode, em casos selecionados, levar à resolução conservadora da compressão medular, evitando a necessidade de intervenção cirúrgica.
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