Gênero e câncer de mama: as implicações do abandono de mulheres por seus parceiros durante o tratamento oncológico

Autores

  • Amanda Costa Torres Escola Pública de Saúde do Distrito Federal - ESPDF, DF, Brasil
  • Ana Luisa Santos de Sousa Escola Pública de Saúde do Distrito Federal - ESPDF, DF, Brasil
  • Jamaira Lanna e Silva Anchiêta Barcelos Escola Pública de Saúde do Distrito Federal - ESPDF, DF, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.2914

Palavras-chave:

Câncer de mama, Mulheres, Abandono, Conjugalidade

Resumo

Esta pesquisa teve como objetivo analisar as implicações do abandono conjugal de mulheres diagnosticadas com câncer de mama durante o tratamento oncológico. Fundamentada no método histórico-dialético de Marx, por possibilitar a compreensão da realidade em sua dimensão histórica e social, adotou-se como metodologia a revisão sistemática da literatura e a aplicação de questionários estruturados para investigar aspectos socioeconômicos, emocionais e de suporte social. As participantes foram recrutadas no grupo de mulheres “Florescer”, vinculado ao Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Os resultados da revisão sistemática evidenciaram predominância de estudos qualitativos, sendo 33,3% de delineamento exploratório-descritivo e 50% de revisões bibliográficas, não sendo identificados estudos quantitativos, o que revela lacunas na produção científica quanto à mensuração objetiva dos fenômenos analisados. A amostra empírica foi composta por dez mulheres com câncer de mama, entre as quais predominavam mulheres casadas (40%), seguidas de solteiras (20%) e, em menor proporção, viúvas, em união estável, divorciadas e em separação de corpos (10% cada). Como conclusão, foi identificado que o abandono conjugal durante o enfrentamento do câncer de mama é um fator de risco para o seguimento do tratamento oncológico, pois intensifica o sofrimento emocional vivenciado pelas mulheres. Por outro lado, observou-se que a rede de apoio das pacientes é formada majoritariamente por mulheres que compõem o núcleo familiar, sendo esta um fator protetivo para o enfrentamento da doença.

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Biografia do Autor

Amanda Costa Torres, Escola Pública de Saúde do Distrito Federal - ESPDF, DF, Brasil

Graduada  em  Serviço  Social  pela  Universidade  de  Brasília-UnB em 2022. Especialista em Saúde Mental, Psicopatologia e Atenção Psicossocial pelo Centro Universitário União das Américas Descomplica em 2024. Especialista em Saúde Pública com ênfase em Saúde da Família pelo Centro Universitário União das Américas Descomplica em 2024. Assistente Social residente do Programa Multiprofissional em Atenção ao Câncer pela Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (2024-2026).

Ana Luisa Santos de Sousa, Escola Pública de Saúde do Distrito Federal - ESPDF, DF, Brasil

Graduada em Serviço  Social  pela  Universidade  de  Brasília-UnB em 2024. Assistente Social residente do Programa Multiprofissional em Atenção ao Câncer pela Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (2024-2026).

Jamaira Lanna e Silva Anchiêta Barcelos, Escola Pública de Saúde do Distrito Federal - ESPDF, DF, Brasil

Graduada em Serviço Social pela Universidade Federal do Piauí (2011).Mestre em Política Social na Universidade de Brasília (2012-2014).Assistente Social na Secretaria de Saúde do Distrito Federal (desde 2013), atuando no Hospital Regional da Asa Norte viabilizando o acesso dos usuários aos direitos sociais, bem como a integralidade do acesso a saúde pública.Preceptora da Residência Multidisciplinar de Atenção ao Câncer da Escola Superior de Ciências da Saúde -ESCS/FEPECS (início 2019).Tem experiência na área da docência, tendo atuado junto ao corpo docente do Centro Universitário Projeção/DF (2016-2017).

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Publicado

2026-02-03

Como Citar

TORRES, A. C.; SOUSA, A. L. S. de; BARCELOS, J. L. e S. A. Gênero e câncer de mama: as implicações do abandono de mulheres por seus parceiros durante o tratamento oncológico. Revista JRG de Estudos Acadêmicos , Brasil, São Paulo, v. 9, n. 20, p. e092914, 2026. DOI: 10.55892/jrg.v9i20.2914. Disponível em: https://revistajrg.com/index.php/jrg/article/view/2914. Acesso em: 4 fev. 2026.

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