Impactos dos fatores obesogênicos em manuseadores de alimentos expostos à inalação de fumaça: uma revisão integrativa e o papel do farmacêutico
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.2866Palabras clave:
Obesidade Ocupacional, Exposição à Fumaça, Manuseadores de Alimentos, Fatores Obesogênicos, Saúde do Trabalhador, Cuidado FarmacêuticoResumen
A exposição ocupacional à fumaça em ambientes de manipulação de alimentos representa um fator de risco emergente para o desenvolvimento de obesidade. Fatores obesogênicos ambientais, como poluentes gerados pela cocção de alimentos, podem alterar o metabolismo energético e promover ganho de peso através de mecanismos endócrinos e inflamatórios, configurando um problema de saúde ocupacional relevante para a atuação do profissional farmacêutico. Objetivo: Analisar os impactos dos fatores obesogênicos em manuseadores de alimentos expostos à inalação de fumaça e discutir o papel do farmacêutico na prevenção e manejo dos riscos associados, através de uma revisão integrativa da literatura. Metodologia: Revisão integrativa da literatura realizada em diversas bases de dados como PubMed, Scopus, Web of Science e LILACS, com descritores relacionados à exposição ocupacional, obesidade, fumaça e trabalhadores de alimentos. Foram incluídos estudos relevantes publicados sobre o assunto. A análise seguiu as diretrizes PRISMA. Resultados: Foram identificados 847 estudos, dos quais 23 atenderam aos critérios de inclusão. Os principais fatores obesogênicos identificados incluem material particulado (PM2.5, PM10), compostos orgânicos voláteis (COVs) e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs) e a exposição crônica a estes poluentes associou-se com alterações no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, resistência à insulina, inflamação sistêmica e modificações no comportamento alimentar. Discussão: Os mecanismos fisiopatológicos envolvem a ativação de vias inflamatórias, estresse oxidativo, disrupção endócrina e alterações na microbiota intestinal. Trabalhadores de churrascarias e cozinhas industriais apresentaram maior prevalência de sobrepeso e obesidade e o farmacêutico pode atuar na gestão da saúde ocupacional, no acompanhamento farmacoterapêutico das comorbidades, na educação em saúde para diminuição de riscos e na promoção de ambientes de trabalho mais seguros. Conclusão: A exposição ocupacional à fumaça é um fator obesogênico significativo. A intervenção farmacêutica, integrada a uma equipe multidisciplinar, é fundamental para implementar medidas preventivas, gerenciar as comorbidades associadas e promover a saúde desta população de trabalhadores.
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